quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os apresentados de Aldeia Viçosa - 3ª Parte (e última) - Marcar terreno


Texto de hoje pelo Tenente-Coronel Freitas Lopes


(Continuação - última parte)


Bem haja a todos!


Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


Um dos problemas que ao Capitão se pôs, aquando das primeiras apresentações, foi o do alojamento. Havia que fazer cubatas, muitas cubatas, para aquela gente toda. E o Capitão e o Administrador pensaram então em construir uma sanzala-modelo. Para o efeito foram fazer a demarcação do terreno, incluindo o local para as lavras onde os apresentados iriam fazer as suas lides agrícolas para auto-sustento. Quando já iam embalados neste sonho, aparece-lhes uma deputação dos apresentados. Queriam saber o que era aquilo.

- Isto? É o sítio para a vossa sanzala!
- E vai ser sanzala para toda a gente?
- Claro! Mas se não couberem todos aqui, faz-se mais sanzalas ao lado!
- Não pode ser, o nosso Capitão!
- Mau! Mas então porque é que não pode ser?
- É que tem gente Macamba e tem gente Mahungo e não pode ter sanzala pra todos juntos. Não pode mesmo!

O Capitão era uma pessoa calma, cheia de bom senso e dialogou com os homens com a maior abertura de espírito possível. Mas no fim chegou à conclusão de que tinha mesmo que fazer duas sanzalas diferentes e separadas. E depois, por toda a parte, Macambas de um lado, Mahungos do outro, se via gente em grande azáfama, a demarcar e nivelar o chão, a desbastar árvores, a carregar troncos, a espetar troncos, a amarrar estes troncos com lianas feitas de árvores, a cobrir o tecto com folhagem ou capim, e, por fim, a cobrir com lama as paredes, os espaços entre os troncos e os ramos.

Dobrado este cabo bojador, o Capitão deu-se a sonhos de grandeza e resolveu construir uma escola primária que servisse, ao mesmo tempo, de local de cultos e reuniões. E mãos à obra! Era uma espécie de cubata, mas muito maior e muito mais alta, coisa imponente, a lembrar um bocado os retiros de comes e bebes que por cá se vêem ao lado das estradas. Mas quando chegou à altura de organizar as classes e arranjar um professor - e este último parecia resolvido porque entre os apresentados havia um professor encartado - de novos os ares se obscureceram, sob a forma de nova deputação que ao Capitão se apresentou, solene. Queriam dizer-lhe que o professor era Macamba e que os Mahungos não aceitavam um Macamba para professor! De novo cheio de paciência, o capitão passou a pente fino todos os apresentados, à cata de algum Mahungo que pudesse estar em condições de dar aulas aos "mininos" desta etnia. Mas por mais que catasse, nada! Como resolver esta situação, que se apresentava tão bicuda? Pois de uma maneira tão simples que ao pé disto o ovo de Colombo não vale nada: os Macambas tinham aulas com o seu professor Macamba, e os Mahungos tinham aulas com um Oficial ou um Sargento, branco, da Companhia! Porque o branco eles aceitaram imediatamente, mas um preto de outra etnia - isso é que NUNCA!

Aldeia Viçosa ficou a constituir para mim um maravilhoso painel de azulejos, a enriquecer sobremaneira a minha experiência, a minha existência. E quando hoje vejo as incompatibilidades políticas que à nossa volta se verificam a cada passo, vejo superiores hierárquicos, civis ou militares, serem contestados apenas porque são de outro partido, apenas porque "não são da mesma cor", eu dou comigo a perguntar-me: 

- Mas onde é que eu já vi uma coisa destas?





FIM 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Os apresentados de Aldeia Viçosa - 2ª Parte - A Francisca



Texto de hoje pelo Tenente-Coronel Freitas Lopes

(Continuação)

Bem haja a todos!


Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


Este afluxo de gente carecida de tudo obrigou o Capitão de Aldeia Viçosa e todo o seu pessoal a um imenso esforço. Havia que interrogar, distribuir roupa, comida; havia que tratar muitos doentes debilitados, e havia que arranjar abrigo, porque se estava no cacimbo e as noites eram muito frescas.

De entre os primeiros apresentados, destacou-se uma nativa, a quem chamarei Francisca, e que logo arranjou trabalho como lavadeira. Não era propriamente uma Vénus, uma "Miss Universo" mas, em compensação, era de uma alegria esfuziante e deveras simpática e foram estas suas facetas que mais cativaram toda a gente.

Ora a Francisca tinha deixado na mata o seu homem, que por lá ficara porque, sendo guerrilheiro, tinha mais medo de se apresentar. Estava, pois, a Francisca Vaga, na situação de "com escritos", situação que o banto não aceita de boa mente. Mulher em bom estado de conservação e solteira ou sozinha tem que arranjar companheiro, pois que esta é a grande lei da natureza. E a Francisca, requestada por um homem dos já apresentados, juntou os trapinhos com ele.
Cubata
Fizeram uma cubata própria, que tinha varanda e tudo, e com o dinheiro da sua actividade de lavadeira, comprou ela um colchão novinho em folha no comércio que, entretanto, regressara à população.

E assim passaram semanas, dois meses, durante os quais foram chegando mais refugiados, agora trazendo mais homens entre eles, um dos quais era o próprio chefe tradicional de uma das sanzalas, o Dembo.

Um dia, numa das minhas então frequentes deslocações à localidade, não porque fosse preciso eu fazer fosse o que fosse, mas porque, dadas as minhas funções no Comando do Batalhão, me competia ir acompanhando a evolução da situação que ali se vivia, vejo a Francisca, toda animada e ainda mais risonha do que o costume, com umas embambas à cabeça, ou seja, uma trouxa, um carrego, em que sobressaia o tal colchão novo. Admirado, alguém lhe perguntou onde é que ela ia assim, com aquilo tudo. E a Francisca, mostrando os dentes todos num sorriso feliz, respondeu no seu português mesclado de quimbundo: - "Foi o meu màrido que voltou hoje dá màtá, e por isso eu vou voltar prà èle!".

E pronto! Tão simplesmente como quem muda a toalha da mesa ou acaba de ler um volume de uma obra e pega noutro, assim a Francisca retomou a sua vida de antigamente, com o marido de antigamente! Claro que o marido "ad hoc" por ela abandonado não gostou muito de se ver assim solteiro à força, mas lançou as suas vistas em volta e tratou de arranjar nova companheira.   

E a vida continuou!

...

(continua mais logo)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Os apresentados de Aldeia Viçosa - 1ª Parte - Introdução


Texto de hoje pelo Tenente-Coronel Freitas Lopes

Bem haja a todos!

Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


De Aldeia Viçosa, povoação Angolana situada a uns 20 Km a sul do Quitexe, guardo recordações inesquecíveis, para além daquele pão maravilhoso que um soldado, que nunca na vida tinha sido padeiro, fazia num forno para o efeito construído. Eu acho que nunca na vida comi pão tão saboroso como aquele! Nem as regueifas de Valongo, nem o pão saloio de Mafra, nem o pão alentejano, nem o transmontano pão de centeio!

Aldeia Viçosa


Aldeia Viçosa era atravessada de norte para sul pela estrada Uíge-Quitexe-Luanda. Curiosamente, a mesma estrada dividia praticamente as populações locais em dois subgrupos étnico-linguísticos: para Oeste, ficavam os Mocambas e para Este os Mahungos, cada qual com o seu dialecto próprio dentro do grupo do Quimbundo. E o rio Dange, que limitava, a Este a Zona de Acção da Companhia de Caçadores de Aldeia Viçosa e já fora da área do Batalhão inflectia para Oeste, passando então a chamar-se Dande, era a fronteira das áreas de influência de dois movimentos guerrilheiros que, hostilizando-nos, por sua vez entre eles se hostilizavam com não menos furor: o MPLA e a FNLA. Quando o batalhão assumiu a responsabilidade daquela área, não havia em Aldeia Viçosa ninguém, para além da tropa e do Administrador do Posto. Na área em volta, as populações das diversas sanzalas estavam todas refugiadas na mata e as fazendas estavam vazias depois de os seus habitantes terem sido, em grande parte, chacinados naquele trágico 15 de Março de 1961.

As sanzalas afectas ao MPLA formavam uma espécie de bolsa, que se estendia para a área do batalhão vizinho, a Sul, o qual ocupava a Zona de Vista-Alegre-Cambamba, e esta bolsa estava cercada por núcleos afectos à FNLA. Os núcleos guerrilheiros do MPLA não conseguiam obter reforços, nem da República do Zaire, nem de Luanda; E como eram assediados simultaneamente pelas nossas tropas e pelos da FNLA, sofriam de mil carências, desde alimentação a medicamentos, de papel de escrever a armas. A miséria e a desmoralização haviam-se já instalado entre eles.

Entre os papéis encontrados no decorrer de uma operação nossa, na mata, contava-se uma carta que uma nativa da área do MPLA escreveu a uma pessoa de família noutra sanzala, carta que fora levada para o seu destino por qualquer portador acidental. Nessa carta, a autora, depois de referir a fome, as doenças e a falta de tudo que sofriam, dizia a acerta altura, textualmente: - "...mas o nosso maior inimigo não é branco, é o preto..."

A situação ara tão dramática que o chefe, o comandante do "quartel" máximo da área - o chamado "Quartel Espiritual Único - de nome Bomboko Ferraz Mahinga, morrera tuberculizado, e os seus chefes imediatos tiveram de usar de violência para conterem as populações respectivas, que se queriam apresentar. Destes chefes, o Manuel da Fonseca foi abatido pelas nossas tropas numa operação realizada na Fazenda Santa Isabel;
Vista Geral da Fazenda Santa Isabel
e um outro, o famigerado Simão Lucas, que era o terror das suas populações, foi ferido noutra operação e acabou por perder toda a autoridade sobre os povos. Também na área do Batalhão de Vista Alegre as coisas iam mal para o MPLA.

Conhecedores de tudo isto, os militares, quer do nosso quer do Batalhão de Vista Alegre, sempre que iam para a mata - e todos os dias iam, variando apenas os objectivos - deixavam mensagens espalhadas em locais visíveis, como caminhos, sanzalas abandonadas, etc.: mensagens que eram lidas avidamente pelos interessados, pelo que, a partir de certa altura, os militares começaram a encontrar mensagens dos visados, respondendo às nossas. Assim se estabeleceu um diálogo deveras curioso e frutífero, que culminou com o envio de emissários das populações fugidas na área de Vista Alegre,
e posteriormente, a contactos entre o Comando deste Batalhão e o nosso, designadamente com o Capitão de Companhia de Aldeia Viçosa. 

De repente deram-se as primeiras apresentações em massa, na área do Batalhão vizinho, e pouco depois na área de Aldeia Viçosa. Estas apresentações não se processaram, porém, todas de uma vez, pois havia um acentuado e natural receio por parte dos foragidos: apresentava-se um grupo, via como era recebido, depois ia um emissário desse grupo à mata levando uma mensagem e, por vezes, uma oferta de sal, e logo a seguir vinha mais gente com ele.


...

(continua amanhã)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Angelina


O texto que se segue é do meu Alferes Ângelo.
Passou-se no Mossungo em Junho de 1964, altura em que que se faziam muitas acções de Apoio às Populações Civis.

Bem hajam a todos que me visitam!

Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625

"Depois de passar no Zalala uns 11 meses, a nossa Companhia foi destacada para a zona do Golungo Alto, mais propriamente para a fazenda Mossungo.

Nesta zona não havia acções de fogo por parte do inimigo. A nossa missão era fundamentalmente de contacto com as populações, de modo a que estas se sentissem apoiadas e ao mesmo tempo evitar que se desenvolvessem no terreno possibilidades de instalação de bases inimigas ou de eventuais acções armadas.

A chamada "Psico" é que era a nossa batalha diária...

O nosso quartel também servia de apoio sanitário às gentes das sanzalas mais próximas. Numa destas sanzalas, habitava uma família de apelido Pascoal, cujo membro mais idoso era o chefe. Eu, por via das minhas funções, visitava-o com alguma frequência e pode-se dizer que as nossas relações eram muito boas. Por vezes mandava-me alguma fruta por uma das netas que ia ao tratamento ao nosso posto de socorros e eu retribuía como podia, inclusivamente com fazenda para calças, que o meu pai me mandava do "puto", a meu pedido.

Uma vez por outra essa rapariga vinha acompanhada por uma prima, de nome Angelina que, pode dizer-se, era uma bela moçoila em qualquer parte do mundo! Era alta, não muito escura, cara bonita, dentes muito brancos, pernas bem torneadas e os seus 18 anos de mulher feita.

Enquanto não falei com ela não descansei. Claro que ela também soube que eu me chamava Ângelo e, por sermos quase homónimos, ou porque algum sentimento nela despontou em relação à minha maneira de ser, estabeleceu-se entre nós como que "um namoro escondido". O único a saber desta aventura era o Sargento Rui, com o qual às vezes ia vê-la ao rio lavar a roupa ou a tomar banho com outras mulheres da sanzala. E, claro, até lhe pedir para "irmos mais além" no nosso namoro, não demorou muito. Mas ela recusava sempre.

A dada altura, já perto de irmos para Cambambe e ela sabia-o, recebi um bilhete por ela escrito (ela lia e escrevia bem o português), que dizia mais ou menos isto:

"Ângelo, agora quero fazer amor contigo, mas apenas uma vez. Vem ter comigo à mata do café."

E eu fui...

Guardei esse bilhete enquanto estive em Angola e durante mais uns 3 anos em Portugal. De vez em quando lia-o e recordava a doce Angelina, da qual nunca mais soube nada.

Nas vésperas de me casar rasguei-o...

A minha mulher soube desta história."




quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Guerra Colonial e os Militares


O texto de hoje foi retirado da seguinte página:



Bem haja a todos!

Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625



A Guerra Colonial provocou, como não podia deixar de acontecer, efeitos de variada ordem na sociedade portuguesa, que se hão-de revelar decisivos, a médio prazo, para a queda do regime. 

A nível político-militar, logo em Abril de 1961, precipitou a tentativa de golpe de Estado liderada pelo ministro da Defesa Nacional, general Botelho Moniz. O seu fracasso reforçou, nos anos imediatos, a posição de Salazar e dos ultras do regime, «ficando a instituição militar entregue aos generais defensores da guerra em África», como assinala Medeiros Ferreira em, «O Comportamento Político dos Militares». 

Num plano mais estritamente militar, a intensificação da guerrilha em Angola, o seu alargamento à Guiné, em 1963, e a Moçambique, no ano seguinte, provocou a crescente necessidade de efectivos militares e de graduados para os instruir e comandar. 

As maiores necessidades fizeram-se sentir sobretudo no Exército e nos postos de furriel, segundo-sargento, alferes e capitão, uma vez que as operações de contraguerrilha são principalmente conduzidas por pequenas unidades. 

Os primeiros eram na quase totalidade milicianos, e o crescimento contínuo dos seus quantitativos fez evoluir a organização militar de um tipo predominantemente permanente para um modelo semimiliciano, o que teve consequências significativas para o evoluir posterior da situação. 

Relativamente aos oficiais do Exército do quadro permanente, o principal problema colocou-se na obtenção de capitães para o comando das companhias, uma vez que o acesso àquele posto se processava principalmente através da progressão na carreira militar, e esta era demasiado restritiva e morosa para as necessidades impostas pela guerra. Por força das circunstâncias, os critérios de selecção para ingresso na Academia Militar tornaram-se então mais permissivos e a duração dos cursos, bem como o tempo de permanência em subalterno, foi reduzida a partir de 1965. Mas as expectativas quanto a um maior recrutamento ficaram goradas logo a partir de 1963, dando-se uma inversão da tendência anterior, que culminou, em 1969, com apenas 36 admissões de cadetes, contra 267, em 1962. 

O Governo procurou ultrapassar este problema através de medidas de aliciamento dos oficiais milicianos, facilitando-lhes a frequência, na Academia Militar, de cursos especiais com duração reduzida que permitiam a entrada na carreira militar. Complementarmente foi criado, em 1969, um novo «quadro especial de oficiais» alternativo ao quadro permanente e, a culminar este processo de obtenção acelerada de comandantes de companhia, decidiu-se a graduação, no posto de capitão, de oficiais milicianos seleccionados durante a frequência dos respectivos cursos. 

As consequências de todo este processo foram, entre outras, a perda por parte do regime do controlo político e ideológico sobre os escalões intermédios da oficialidade do quadro permanente, a desvalorização do ensino superior militar e da carreira militar, a agudização das contradições e frustrações no interior das Forças Armadas e o agravamento das tensões corporativas entre os oficiais do quadro permanente oriundos de cadetes e os restantes. 

Mas as consequências da Guerra Colonial na instituição militar cedo ultrapassaram o plano estritamente corporativo, abalando progressivamente a motivação dos quadros, pelo desgaste de comissões sucessivas, o acumular de dúvidas quanto à possibilidade de solução militar e até quanto à própria legitimidade da guerra. Estes efeitos fizeram-se sentir, sobretudo, nos oficiais do Exército, mais em contacto directo com a realidade da guerra africana. 

A dispersão, o isolamento e o perigo a que permanentemente estavam sujeitas as pequenas unidades favoreceram a criação de relações de maior ligação e proximidade hierárquica, a reflexão crítica sobre a problemática da Guerra Colonial e o surgir de um espírito de maior abertura cultural e política entre os militares do quadro permanente, que vão destruindo os tradicionais princípios da disciplina militar, o idealismo heróico associado à carreira das armas e o mito de uma «Pátria pluricontinental e multirracial do Minho a Timor». 

Neste processo foi importante a influência exercida pelos oficiais milicianos. Contudo, até final da década, e citando Maria Carrilho em, «Forças Armadas e Mudança Política em Portugal no Século XX», «ao nível das relações civis-militares, algumas tensões que se verificaram não chegam a transparecer publicamente, e as Forças Armadas aparecem aos olhos dos Portugueses como o instrumento que permite a prossecução da política africana do regime».

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Soldado da paz





SOLDADO DA PAZ


Fui soldado e fui guerreiro
Até um herói me chamaram
Tentei ser mensageiro
Mas a paz me ocultaram.

Combati para não morrer
Ao lado de amigos meus
Tive a sorte de vencer
Por isso dei graças a Deus.

Reconheci homens ofendidos
Que lutavam com razão
Eramos nós seus inimigos
Da sua terra do coração.

Impuseram-nos esta guerra
Fomos para ela nomeados
Gritamos viva a nossa terra
Quando a ela regressamos.

Sofremos a todos os tempos
Alimentamos as saudades
Eram tantos os sentimentos
Valeram-nos as amizades.

Tive e fiz amigos de outra cor
Por vezes lhes dava razão
Sentia por eles a sua dor
Quando me pediam pão.

Fui soldado e fui guerreiro
Sou emigrante hoje também
Sou saudoso e sou um pioneiro
Da sempre minha terra-mãe.

António Gonçalves Martins Pereira



Eu, o Maio e o Tono Clarim (Paz às suas almas)
Soldados da Paz!

domingo, 16 de agosto de 2015

Partida das tropas para África - "Praia de Lágrimas"


E para hoje deixo-vos isto.

Um abraço para todos!



Partida das tropas para África, ao som da «Praia de Lágrimas», de «Os Lusíadas».