sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Trova do vento que passa



Hoje deixo-vos com um poema de Manuel Alegre.

Bom fim de semana do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625

Um abraço!




"Pergunto ao vento que passa 
notícias do meu país 
e o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz."

Manuel Alegre


A tentar "descontrair"

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Os tiros do Cabo Clarim!


O texto que se segue é do Francisco António Esteves - Chico
1º Cabo 2124

Abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625



Um dia qualquer depois do almoço, a caserna de cima - no Zalala - estava cheia de gente.

O cabo Clarim estava a limpar uma arma, e não usou a devida segurança da arma.

Inadvertidamente dispara a arma, atingindo um colega do lado, no dedo grande do pé. O colega estava tirar uma cesta e acordou, claro, estremunhado. Sentou-se na beira da cama, viu o sangue que lhe jorrava do pé e disse:

- Ai o meu rico pezinho!

Correu em direção ao posto médico para fazer o respetivo curativo.

Sorte foi mais ninguém ter sido atingido.

Eu, no Zalala, na pose para a foto!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Poema de Manuel Alegre


Hoje deixo-vos com um poema de Manuel Alegre.

Um abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625




As nossas frases estão cheias de picadas
 de minas a explodir nos substantivos 
por dentro do silêncio há emboscadas
 não sabemos sequer se estamos vivos. 
Os helicópteros passam nas imagens
 a meio de uma vírgula morre alguém
 e os jipes destruídos estão nas margens do papel
 onde talvez para ninguém 
se vão escrevendo estas mensagens. 

 Manuel Alegre

domingo, 6 de setembro de 2015

O roubo do saco de lona


O texto de hoje é meu.

Espero que tenham tido um excelente fim de semana.

Boa semana para todos!

Abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


Quando a CART.422, "Os Maçaricos", chegou ao Zalala era já madrugada.

A viagem do Quitexe até ali tinha demorado tempos infinitos. As picadas eram más e o tempo não ajudou em nada. Tinha chovido imenso e tudo o que queríamos era chegar ao destino sãos e salvos.

Na azáfama dos que chegam e dos que vão embora, na hora de arrumarmos as nossas malas e sacos, dei por falta do meu saco de lona, que continha a minha roupa camuflada. Fiquei aflito. O camuflado, como devem imaginar, era indispensável!

Procura aqui, procura ali e nada!...

Fui logo ter com o Quim Carreira, que era um desenrascado mais ou menos e dei-lhe conta do que me tinha acontecido.

Resposta imediata do Carreira:

- Fica calado. Não digas nada a mais NINGUÉM!

Horas mais tarde, já a companhia que fomos render tinha abandonado o Zalala, vejo o Carreira. Lá vinha ele não com 1, mas com 2 sacos de lona.

- Guarda aí isso que depois falamos. Boca calada, ok? - disse-me ele.

Passados uns dois dias, estávamos já nós mais que instalados, o Carreira veio ter comigo. Disse pra ir buscar os sacos para vermos os dois o que continham.

Abrimos os sacos e lá estavam os camuflados...

Cheguei a pensar que eram dos nossos colegas militares, mas para minha surpresa e ainda bem, não eram de ninguém da nossa companhia.

Eram camuflados usados, MUITO USADOS, por sinal. O que significava que teriam pertencido aos militares que fomos render.

Fiquei aliviado...

E é assim mesmo que o velhinho ditado diz:

"A Tropa manda desenrascar!"

No meu caso digo:

O meu amigo Carreira desenrascou-me!



terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Plastic


Boa tarde a todos.

O texto de hoje é meu.

Em memória de José Albuquerque, o Faísca!

Abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625



Nas viagens que a CART.422 fazia ao Quitexe, tanto para se reabastecer de géneros como para receber a correspondência, aproveitávamos para vermos vários amigos militares de outras companhias que lá se deslocavam com o mesmo propósito e eu, particularmente, para rever o Lourenço do Ricardo e o Afonso Malta, ambos pertencentes à CART.421, bem como muitos outros das freguesias vizinhas da minha aldeia.

Numa dessas viagens, o Lourenço disse-me que tinha uma novidade! Tinha lá encontrado o José Albuquerque, ciclista vencedor da Volta a Portugal em Bicicleta, que era mais conhecido por Faísca.

- Onde está ele?!?! - Perguntei com curiosidade.

O Lourenço levou-me a conhecer a celebridade no restaurante do "Gomes", que era onde comíamos e bebíamos até ficar "bem saciados".

Entramos e lá estava ele! Homem alto, corpo franzino, mas rijo como um cepo!

Metemos conversa...

Perguntei-lhe o que fazia em Angola e quais os motivos que o levaram a imigrar. A resposta não foi muito diferente das dos tempos de hoje. Que em Portugal a vida estava muito má e que não havia emprego e que com o ciclismo, em termos monetários, pouco ou nada tinha ganho.

Disse-me também que era tractorista na Junta Autónoma de Estradas Angolanas.

Perguntei-lhe então se não tinha medo de andar a abrir estradas em Zonas de Guerra.

- Tenho receio, sim. Não dos tiros porque ando sempre escoltado por militares, mas sim do Plastic!

- Plastic?!?! Mas que raio é isso?!?! - Perguntei.

- São as minas anti-carro - disse ele - já vi vários camiões andarem pelos ares! Maltido Plastic! - rematou o Faísca.

Depois desse dia, todas as vezes que ía ao Quitexe procurava o amigo Faísca! Bebíamos umas cervejas e conversávamos muito! Sentia da parte dele que me considerava um amigo também!

Quando a CART.422 deixou a zona de Zalala, despedi-me dele com uma lágrima no canto do olho.

Sempre que penso nele lembro-me daquela frase: Maldito Plastic!

Nunca mais o vi... 

Sei que faleceu na década de 80 em Mangualde, sua terra Natal, vítima de atropelamento.


Espero que estejas em PAZ amigo Faísca!




domingo, 30 de agosto de 2015

Na apanha de mamão ou papaia!


Quem quer mamão ou papaia tem que a ir buscar!

Abraço a todos.

Bom Domingo.

Abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625