terça-feira, 5 de abril de 2016

53 anos... Já?!?!?!?


O texto de hoje é do nosso Capitão Vila-Chã.

E já lá vão 53 anos! Incrível, não? Mas é verdade!

Um abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


"Abril de 1963, partida da Serra do Pilar de 4 Companhias de Artilharia, rumo a Angola. Noite avançada, despedidas e votos de boa sorte, à Partida de Vila Nova de Gaia.

Ao Comandante da CART 422 coube comandar o comboio militar, rumo à Gare Marítima de Alcântara.

Cerca de 27 meses depois, agosto de 1965, o regresso.

Desembarcados do navio Quanza, em vivas à República e à Cristina, tínhamos pressa em chegar à estação de partida, Vila Nova de Gaia. O comandante do comboio militar, foi ainda o Capitão da CART 422.

Conforme combinado, cinco minutos de paragem no Entroncamento, para refrescar. O comandante do comboio confraternizou com os maquinistas. Não uma cervejola, mas duas.
O maquinista-chefe deu tolerância de até um quarto de hora. Passados 25 minutos, embarcava o último militar, por coincidência o "nosso cabo miliciano furriel da lenha" - o ilustre Costa. Finalmente, violando as regras de segurança, o capitão, convidado de honra, entrou na máquina.

Convidado a conduzir, era simples: roda a manivela para a direita, acelera, para a esquerda, reduz a velocidade. Bastava prestar atenção à sinalização, à velocidade permitida - 40 Km nas curvas apertadas, até 120 nas retas longas.

Conversa animada, já próximo da estação de Fátima, dando graças pelo bom regresso, ouve-se o estampido à entrada do túnel a alta velocidade. Delicadamente, o maquinista-chefe deitou mão à manivela, reduziu suavemente a velocidade, enquanto o capitão procura esconder-se. À passagem na estação, o chefe, empunhando a bandeira enrolada e olhando de soslaio os maquinistas, levou a mão esquerda à cinta, denotou preocupação e espanto.

Entra de novo ao serviço o capitão maquinista. Era preciso recuperar o atraso no Entroncamento. Numa curva com limite de velocidade de 60 Km, a máquina estremeceu, a 150 km hora. Ordem para reduzir velocidade depois de sair da curva. Só que a redução brusca de velocidade fez disparar fusíveis, disjuntores, enfim, centelhas com "cheiro de eletricidade". O comboio deu uns solavancos, casmurrou, parou. Do mal o menos. Para tudo se quer sorte.

Enquanto a rapaziada, autorizada por um guarda de passagem de nível, colhia figos. Pediu-se socorro. Duas horas mais tarde chegaram duas máquinas. Uma de puxa, outra de empurra. O atraso já causava preocupação em Vila Nova de Gaia. Chegaram a correr boatos de mau agoiro. Receção com bandas a tocar, flores, palmas, foguetes no ar. Na parada do RAP2, a CART 422 fazia a diferença. Militares aprumados, disciplinados, generosos e orgulhosos. De contentes, mal cabiam nas fardas. Não admirava, os cerca de 160 elementos da CART 422, regressaram com peso médio acrescido de 4Kg. O nosso famoso voluntário só trazia mais uma arroba, mais precisamente 16 Kg. Por isso se viam calças bem ajustadas aos assentos (leia-se rabos, ou cuses). Um bom vaguemestre... Vocês lembram-se.

À última voz de "destroçar", buscando cada um o seu rumo, ficou para sempre uma marca importante para tempos vindouros - AMIZADE.

Até sempre!

Um abraço do Vossso ORGULHOSO Capitão Vila-Chã.

Caldas de Vizela, 8 de junho de 2002."


Carmona 
Da esquerda para a direita:
Aires, Duarte mecânico, Rebelo e Franklim
(Paz aos que já partiram)


Numa ida a Carmona (Capital do Uíge)



Gaia - Devesas








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