domingo, 6 de setembro de 2015

O roubo do saco de lona


O texto de hoje é meu.

Espero que tenham tido um excelente fim de semana.

Boa semana para todos!

Abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


Quando a CART.422, "Os Maçaricos", chegou ao Zalala era já madrugada.

A viagem do Quitexe até ali tinha demorado tempos infinitos. As picadas eram más e o tempo não ajudou em nada. Tinha chovido imenso e tudo o que queríamos era chegar ao destino sãos e salvos.

Na azáfama dos que chegam e dos que vão embora, na hora de arrumarmos as nossas malas e sacos, dei por falta do meu saco de lona, que continha a minha roupa camuflada. Fiquei aflito. O camuflado, como devem imaginar, era indispensável!

Procura aqui, procura ali e nada!...

Fui logo ter com o Quim Carreira, que era um desenrascado mais ou menos e dei-lhe conta do que me tinha acontecido.

Resposta imediata do Carreira:

- Fica calado. Não digas nada a mais NINGUÉM!

Horas mais tarde, já a companhia que fomos render tinha abandonado o Zalala, vejo o Carreira. Lá vinha ele não com 1, mas com 2 sacos de lona.

- Guarda aí isso que depois falamos. Boca calada, ok? - disse-me ele.

Passados uns dois dias, estávamos já nós mais que instalados, o Carreira veio ter comigo. Disse pra ir buscar os sacos para vermos os dois o que continham.

Abrimos os sacos e lá estavam os camuflados...

Cheguei a pensar que eram dos nossos colegas militares, mas para minha surpresa e ainda bem, não eram de ninguém da nossa companhia.

Eram camuflados usados, MUITO USADOS, por sinal. O que significava que teriam pertencido aos militares que fomos render.

Fiquei aliviado...

E é assim mesmo que o velhinho ditado diz:

"A Tropa manda desenrascar!"

No meu caso digo:

O meu amigo Carreira desenrascou-me!



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